.

BOTE FÉ! Jornalismo a Favor da Cidadania!

A arte tem preço para viver?

As vezes o jornalista entrevista alguém afim de realizar uma reportagem e ao mesmo deseja escutar as respostas que bem interessa, porém, existem realidades que nem sempre as informações obtidas não soam de acordo com o que se pretende ouvir.
Desenhos e esculturas 


















Foi assim, que me deparei com um velho conhecido da arte, o ipiauense, Joselito Pinheiro, conhecido como Capitão. Na ocasião, já eram altas horas quando comecei a indagar se a arte o trazia felicidades. Houve alguns segundos de pausa e o engodo na garganta do entrevistado para esclarecer a tal alegria do seu trabalho, foi desviado para outros assuntos.

“Além da minha arte de escultor, sou pintor, desenhista, carpinteiro, letrista, eletricista e carregador. Faço cenografia e também componho, além, de tantas outras coisas que faço e pretendo fazer enquanto eu estiver vivo, mas, eu garanto que sou bom no que faço”. Esse foi o argumento de “Capitão” para esclarecer sua Vivencia.

A diversidade da arte criada pelo Capitão nada mais é do que a luta pela sobrevivência. Vivemos num país capitalista, precisamos de dinheiro para comprar, comer, ter lugar descente para morar e para se divertir, por outro lado, não é todo mundo que tem a oportunidade para crescer na vida e mostrar o quer melhor sabe fazer.

A simplicidade de Capitão para ressaltar as palavras me comoveu para entender os quadros, esculturas e composições que eu havia visto em sua casa e assim perguntei o porquê da escolha da pintura, escultura e composições, a resposta foi imediata.  

“Dentre as atividades que eu faço, a única que não me faz carregar o peso das ferramentas é a escultura e a pintura, são leves, e com esse trabalho eu me sustento. Desde cedo tive que aprender a trabalhar para me tornar o que sou, viajei para diversas cidades da Bahia, como Conceição de Almeida, Valença, Ubaitaba, Vitória da Conquista e Salvador, prestei serviço a torto e a direita. E confesso que aprendi muita coisa”, essa foi a resposta do capitão.  

Pois é, a vida é feita de escolhas, mas existem momentos que os passos são forçados quando não temos onde se agarrar para sobreviver. Capitão passou 12 anos na capital baiana e depois retornou para Ipiaú, esta foi a cidade onde ele nasceu e hoje realiza seus trabalhos. Eis a pergunta, quem nunca viu um sujeito moreno, cabelos longos, magro e como as mãos segurando o pincel pintando os muros em Ipiaú?


Capitão, 50 anos, enfeita os muros desenhando propagandas para empresários, políticos e para quem quer que seja desde que, seu trabalho seja remunerado. Cada um tem seu estilo de viver e pensar e esta condição esta intrinsecamente na estrutura familiar e o que foi herdado.

“Eu acredito muito na capacidade das pessoas para criar seu próprio estilo e buscar um modo para viver, seja qual for a maneira, pois o humano estar dentro de cada um de nós, mesmo os que não tem oportunidade. A vontade e imprescindível para ser o que se tem que ser. Mas o que eu faço, não é para mim e sim para os que ficaram para contar a minha história e apreciar meus trabalhos que aqui ficaram e ficará”, assim foi a resposta final da conversa com o Capitão, apelido este, que ele adquiriu há muito tempo atrás, no grupo de escoteiros da igreja adventista de Ipiaú.

Mas antes mesmo do fim, o Capitão sorriu em momentos felizes, “o melhor jeito de aparecer é não aparecendo”.



Contrate os trabalhos de Capitão e veja a arte desse rapaz.

Contatos: 073 91198942

Vicente Andrade
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial