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Conto dos três amigos e o fazendeiro

Numa ocasião, três jovens amigos decidiram se encontrar para conversar sobre literatura, política e reforma agrária, porém, os cidadãos não queriam ouvir o barulho da cidade, dos carros, das motos e menos ainda, som alto que ensurdeciam os ouvidos.

De imediato seguiram as trilhas para o caminho da zona rural, lugar este, que só existia estrada de chão, árvore, canto de cigarras, dos pássaros e das folhas, que eram chocalhadas pelos ventos, pura música natural, as mais lindas canções.



Nos primeiros instantes longe da civilização, tudo parecia calmo, os garotões avistaram um lugar onde o barro da estrada estava enfeitado de vermelho, devido as folhas do pé de jambo que estavam caídas.

Ali, naquele lugar íngreme e tranqüilo, havia uma casa abandonada e cheia de mato que vigiava uma imensidão de latifúndio que brotava o fruto de ouro dos latifundiários, os mesmos, estavam enforcados de dividas nos armazéns e bancos.

Os jovens, nada queriam, nem os frutos de ouro e nem tão pouco, encontrar alguém, cuja personalidade é ditada pelo império capitalista, que é cheio de pudores contrário a vida e a favor de ostentações baratas. Mas como a sorte as vezes é um pouco falha, os três adolescentes que estavam sentados num dos alicerces da casa abandona não esperavam o rancor do proprietário daquelas terras que estava passando pelo ambiente.
Na voz do proprietário, um engodo enfurecido e um sorriso falso, a vigiar de longe a conversa dos jovens. O dono da terra para irradiar o medo, se escondeu atrás de uma moita e entupiu a boca com os caroços de cacau, engolia um em cima do outro para desfazer o nó da garganta.
Percebendo a fúria do proprietário, um dos jovens se aproximou do enfurecido e perguntou;
-Soube que esta vendendo suas terras?
E o proprietário com rancor respondeu bruscamente;
-Só vendo a terra se for completa.
A resposta enfurecida do dito patrão era um convite para que os jovens saíssem dos pertences, pois, o proprietário estava com receio de que os jovens iriam roubar o cacau, mas na real, os jovens só queriam um pouco de paz. Em instantes, os três amigos se foram estrada a fora, uma imensidão de terras improdutivas e jogadas ao leu.
Em direção a cidade, o sol no fim de tarde radiava forte o brilho amarelo, que até vermelhava o céu iluminando os camponeses, que iam andando com olhar cansado na direção de casa.
Em poucos instantes em aflitos, um dos jovens lembrou que precisava de esterco para adubar as flores e frutos do seu quintal e daí resolveu ir para o aras da cidade.
Chegando lá, o medo ainda presente no coração devido a fúria do proprietário, foi o empecilho para pegar o esterco já avistado, então, os jovens saíram em busca de alguém para pedir autorização e pegar o esterco. 
Um pouco mais a frente, estava um rapaz franzino que cuidava de cavalos. O jovem que estava em busca do adubo, humildemente perguntou ao rapaz que cuidava dos cavalos;
-Boa tarde jovem, posso pegar um pouco desse esterco?
E o rapaz em seguida respondeu cuidadosamente e com todo o respeito;
-Pode pegar o esterco e se você estiver com um carro maior leve tudo.

O interessante é que o latifundiário nada tinha de cordialidade e o rapaz que cuidava de cavalos era o contrario do latifundiário e a cordialidade reinava no peito.

Vicente Andrade
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