.

BOTE FÉ! Jornalismo a Favor da Cidadania!

Conversando com Raul




Lembro como se fosse hoje, o sol iluminava com brilho a janela da sala e eu estava com 12 anos. Algo me avisava para ligar o rádio em qualquer estação para espantar as loucuras mentais de uma criança, daí, foi quando escutei pela primeira vez uma voz quase rouca cantando,“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. 
Foto do maluco beleza desenhado por Ayam Ubráis Barco  

Ali nascia uma paixão por um desconhecido, alguém que queria dizer algo totalmente abstrato, eu não entendia nada, porém a minha inquietude de saber o nome do cantor que havia tocado profundamente o meu coração não se dissipava. 

No fim da canção, o locutor soltou a voz e me disse “Você acabou de ouvir, metamorfose ambulante de Raul Seixas”. De repente peguei uma caneta e um pedaço de papel velho para anotar o nome do cantor e a música. 

Recordo que corri para a antiga feira de Ipiaú, fui até uma loja de disco, cujo dono era “Itaibo”. Na época, o que mais vendia era fita K7, cheguei ao balcão e pedi as canções do Raul, o dono da loja tomou um susto, pois na minha idade ninguém havia feito um pedido desses. Mas depois ele sorriu de felicidades e eu agradeci após lhe pagar R$ 2 e 50 pelo material. 

Quando peguei a fita, vi na capa um maluco cabeludo e barbudo, essa foi à primeira imagem real que tive de Raul Seixas.
Quando cheguei em casa passei a tarde toda escutando as canções do Raul, Maluco beleza, ouro de tolo, eu também vou reclamar, medo da chuva, loteria da babilônia e tantas outras. Foi lindo, tudo era mágico.

Meu coração começou a se espalhar para as coisas simples da vida e para entender o maluco que incentivou meus passos para o além. Livros, CDs, revistas e tantos outros materiais me levaram a conhecer o Raulzito, sem contar a minha ida no jardim da saudade para levar flores. 

Raul morreu quando eu tinha três anos de idade mais eu sentia que ele estava vivo no meu coração. Após 25 anos da sua partida, do acorda do sonho real, sinto que ele ainda permanece imortal no meu peito e ainda conversa comigo com músicas que refletem a realidade.

Intensamente, sei também que Raul também está vivo em milhares de pessoas desse pequeno e imenso mundo. 
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial