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Ipiauense lançará primeiro disco “Uma Dose de Erva”



É importante abrir espaços para as pessoas em geral, principalmente aquelas que tem algo para mostrar e carece de meios democráticos para se lançar e ecoar vozes pelo mundo afora.

Nessa ideia não há o que se questionar partindo do ponto de vista que é preciso sim um lugar diferente para aparecer os trabalhos próprios e que precisam ser divulgados para a sociedade. Foi nas caminhadas de novos assuntos para publicar encontrei uma artista ipiauense prestes a lançar o primeiro disco.

Acompanhe a entrevista na integra com a compositora e cantora, Ritta Cidhreira, que expõe um vasto conhecimento da vida e da bagagem intelectual. A primeira é a própria experiência e a segunda, o momento de se expressar as idas e voltas por meio da poesia cantada.   

VA: Como você se considera e o qual sua relação com Ipiaú?

 RT: Sou do mundo e a minha relação com Ipiaú é uterina pois nasci aqui, pari aqui, a maior parte da minha família mora aqui, meu filho se encontra aqui. Gosto das cidades que mantêm o coreto, há um significado pujante nele que para mim é a ideia de teatro gratuito que pode ser a cantoria sob o luar, o amanhecer com os pássaros cantando, o louco que sobe e faz a catarse como se ali fosse o divã, a possibilidade de plugar o som da banda que a cultura é pra invadir a cidade e nos tirar do olhar de soslaio da política quando é nefasta para seus cidadãos, o coreto pode ser para as declarações de amor numa circunferência de 360 graus, imagina aí! Minha relação com Ipiaú é de Encontros e Despedidas para lembrar a música de Fernando Brant e Milton Nascimento. Sempre acontecendo, portanto um gerúndio. Pode não ser a cada estação mas sempre paro numa estação para chegar a essa terra. Gosto de chegar e ver tudo isso.

VA: Você é cantora e compositora, quando começou essa relação com a música?

RT: A minha primeira composição chegou junto com a melodia. Poderia ter sido só a letra porque sou seduzida pela palavra, mas havia carnaval em Caravelas nos idos de 1977, não foi uma marchinha mas uma saudade de um canto sossegado: "Olhando o céu vejo as estrelas, a lua cheia tá pra sair..." o começo da canção Tempos de Criança.


VA: Você está prestes a lançar um disco chamado “Uma Dose de Erva”, por quê?

RT: Uma dose de Erva é uma provocação sem querer fazer apologia as drogas e ao mesmo tempo é uma dose de mim, minhas composições. A música é o disco inteiro.

VA:  Qual a música que você gostaria que fosse tocada mais vezes?

 RT: Deixo por conta da rádio escolher a música preferida do radialista. Há uma delas que já é de domínio dos amigos que me acompanham que é a Quartinha de Oxalá. De Oxalá para ficar mais preciosa mesmo, reforçar esse objeto que as baianas carregam água para lavar as escadarias da igreja do Senhor do Bonfim. São todas preferidas e são sete músicas.


VA: Quais as dificuldades enfrentadas na carreira artística?

RT: As dificuldades existem e lembro aqui do poema de Drummond No meio do caminho...e o de Fernando Pessoa que se chama Pedras no caminho. A música no CD, esse registro, vem a banho-maria, feito carne preparada no forno biaribi, demorado, acalentado, serenado por horas, dias, anos para expor essa dose de mim que é Uma dose de Erva. Ele vem numa pegada slow para ouvir, contemplar, namorar e dançar junto, sem pressa porque a vida acelerou e não sei para onde vamos com tanta celeridade. Afinal, melhoramos se aceleramos? Imagina que todos fomos convocados para ver o eclipse e fomos, e nos outros dias, sem essa convocação geral, sem eclipse, estamos nos permitindo a conjugar algum verbo de qualidade? Estamos?



VA: O que mais lhe inspira?


RT: O mundo me inspira pois é melodioso no rock, no deboche, na hipocrisia, na ira, na pétala caída, machucada, o beijo, a alegria, essa entrevista.


Como Você está se sentindo em lançar o primeiro disco?

Me sinto feliz! Começou quando fiz o show no Teatro Sesi e alguns amigos me perguntaram sobre o CD e que já era hora de gravar as canções. Também partiu de uma necessidade de registrar. Estou feliz com esse CD, Uma dose de Erva, a capa criação de Gabriel Martins um artista de sampa, a parte do layout, o interno do cd é de Kaula Cordier que distribuiu folhinhas verdes pelo encarte, de forma sensível, limpa, discreta como pedi e ela que está presente nos trabalhos de cinema de Edson Bastos e Henrique Filho, filhos de Ipiaú; a apresentação é de uma amiga Ana Maria de Assis Ribeiro, mora no Rio de Janeiro, pessoa que conheci pelo facebook e ja nos conhecemos pessoalmente, escreve peças, escrevia crônicas num blog de nome Vai daí quem sabe,  as letras e as melodias são de minha autoria que tem nos arranjos a criação de Caji, um amigo e artista de grande qualidade que é compositor, músico, técnico de som e foi com ele que gravei o CD, e de Zana Fiterman que é uma artista também, numa participação especial no arranjo Jubiriá que é uma boneca sucata que surgiu a partir da ideia de meu filho Gabriel Cidreira quando este tinha 08 anos e realizava um trabalho sobre sustentabilidade na Escola Miró. Ele foi abrindo a porta de casa e  pedindo, enquanto tirava o tênis,"mãe faz uma música sucata..." Na hora eu pensei: Caramba, como materializar esse pedido? Aí me lembrei da infância em Irecê e confeccionei a boneca, e para melhor esclarecimento a palavra jiribita, daí minha inspiração para o nome da boneca que batizei de Jubiriá, é referência ao jogo que tem nome variado por esse Brasil:  capitão, liso...aquela brincadeira que utilizamos pedrinhas de brita, saquinho de arroz que la em Irecê usavamos semente de mamona seca. Participei num festival numa escola de canto de Acácia, professora de música, e os jurados foram os integrantes da Banda de Boca concorrendo como melhor música ganhando o primeiro lugar. Ela também está no youtube.


No final da entrevista Ritta Cidhreira além de disponibilizar uma canção também compartilhou um poema:

E a tua cara como vai?
E a tua cara como vai?
Já experimentou se dirigir ao espelho e buscar na cara alguma cicatriz ou ruga por desmantelos?
Por que a concepção de que a felicidade não é enrugada?
Uns criam conceitos, outros vivem pra segui-los, e mordidos, mas isso não se revela, vela-se!
Se não mordo a corda de minh"alma esta vira cobra criada e mordida comigo. E assim permeiam a vida: uns escrevendo a própria história. Outros vivendo histórias escritas.
Não é à toa que secularizam o amor travestido de horror. Criam culpa, imputam pena em oração.Ou você acredita que o bem e o mal vivem em desespero? Ledo engano. São fundamentais, não vespeiro. Vivem juntos, entranhados, não bifurcados.
Já experimentou se dirigir ao espelho?
Por que essa cara embrutecida? Torpe?
O que é que te agoniza? O que não te faz doce?
As respostas soam obvias como se fossem lúcidas. Como se o óbvio e essa lucidez fossem bandeiras da alma. Que pesar... E assim a vida vai sendo permeada...
Quem tem medo do feio pinta a cara antes de se por no meio.
Outros se deixam e de vida se pintam!
Ritta Cidhreira.


Link de canções do Disco Uma Dose de Erva que será lançado ainda este ano, no Porto dos Livros, em Salvador.






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