.

BOTE FÉ! Jornalismo a Favor da Cidadania!

Rebuscando a História: Esmeraldino o homem centenário de Ipiaú

Esmeraldino Macêdo, nascido em 14 de Julho de 1916



É preciso ficar atento a todos os depoimentos, principalmente, daqueles que tem nas costas uma luta e trajetória de vida. Quem dera poder chegar aos 101 anos com a lucidez de uma criança e ter o privilégio de dialogar com a nova geração e deixar imortalizadas as histórias.

A conversa com Esmeraldino Pereira foi uma forma de retratar a história e rebuscar fatos para oportunizar espaço de diálogo. Sentado na cadeira, seu Esmeraldino, retratou o amor que sente pela sua esposa e emocionado não mediu palavras para ressaltar o tremendo carinho que ainda sente por ela.

Foram 70 anos de casamento e de muita história com dona Almira Macêdo. Ele a conheceu numa festa de casamento da família, em Ibirataia, e dai surgiu a união. Seu Esmeraldino é grato à esposa por ter ensinado a ele a ler e escrever e por ser companheira por muito tempo até o dia em que ela se foi.
Seu Esmeraldino e a esposa Almira Macêdo


A vida no campo

Seu Esmeraldino usou as mãos para cultivar a terra que o pai deixou e foi assim, que ele criou os 10 irmãos e hoje está vivo para contar.

Entre lágrimas e risos, Esmeraldino, contou um pouco da vivência, ele foi um andarilho baiano, percorreu por terras, passou por diversas cidades e apresentou um pouco do legado. Entre as ações, a fé por Jesus Cristo é uma marca de vida e trabalho.
Esmeraldino nasceu em Ibirataia após os pais passarem por Miguel Calmon, Santarém, Gandu e se instalar no município vizinho de Ipiaú (Ibirataia).

A luta pela vivência começou trabalhando no campo. Esmeraldino ressaltou que aprendeu muita arte, mas que só não aprendeu a concertar relógio (risos).
E foi duma fazendinha de 20 hectares que ele tirava o sustento da família, herança que o pai deixou e que tem até hoje.  

A cama de taipa e colchão de taboa

Antigamente as coisas não eram fáceis, seu Esmeraldino contou que o pai dele era pobre e que presenciou a luta do pai para oferecer o conforto à família. A cama onde dormia era feita de taipa e o colchão era de taboa, planta retirada das lagoas.

O vereador

Esmeraldino foi vereador da Cidade de Boa Nova por duas vezes e ainda contou que foi o primeiro a levar água para a cidade, canalizada por varas de bambu. A água era retirada do Rio e colocada num buraco e todos pegavam água de lá.
Também contou que votou em Getúlio Vargas para presidente e que teve a honra de 
Carta de testamento de Getúlio Vargas


conhecê-lo pessoalmente na cidade de Caldas de Cipó. No arquivo pessoal, ele guarda até hoje a carta deixada por Getúlio.

O Poço da jiboia

Há muito tempo atrás a luta pela terra era ferrenha e chegava até acontecer fatos estranhos relacionados ao sumiço das pessoas.

Ainda em Boa Nova, ele contou que existiu um poço com aproximadamente 8 metros de profundidade. Neste poço tinham muitas cobras que comiam pessoas e qualquer nove nada, pessoas desapareciam, principalmente, pescadores. Com o passar dos anos achavam as carcaças de pessoas rio abaixo, mas como não tinham documentos não poderia identificar. Ele também contou que foram muitos que sumiram e até hoje ninguém sabe do paradeiro.

Os sonhos

Outro fato interessante ressaltado por Esmeraldino é que ele sonha muito todas as noites com os entes queridos que já partira desse plano. E no sonho ele conta que as pessoas o chamam para ir com eles.

Mas como a fé de seu Esmeraldino é grande, a resposta dele é imediata.

“Gosto de ver e ouvir os entes queridos, mas eu digo a eles que só Deus tem o poder de me tirar a vida, pois se foi ele quem me deu é só ele que pode me tirar (Risos)” explicou Esmeraldino.

Como se sente e o recado

Não são todos os dias que conversamos com pessoas centenárias, acho que são poucas que existem. E neste período é de suma importância relatar a vida dessas pessoas que com fé e esperança vão vivendo a vida.

Foram horas conversando com seu Esmeraldino tentando pontuar a trajetória vivida por ele. É notório que a idade pode diminuir as lembranças, mas não apaga a história enquanto a voz e a imaginação ainda é o forte.

E foi assim, que Esmeraldino contou que é feliz, que está satisfeito com a vida por ter feito da vida o que quis fazer. Da agricultura fez muitas amizades que cultua até hoje, recebeu dos pais a educação, o amor e o poder da união e assim vai distribuindo afeto e alegrias para familiares e amigos. Esmeraldino ainda contou que todos reconhecem este beneficio e segue até os dias atuais.

E para encerrar o papo, Esmeraldino, ainda pediu a Deus para que interceda nas desavenças da vida, pedindo ainda, para trazer uma solução de amor e paz nas conciliações das pessoas que vivem em desafetos.  E ainda pontuou que “Graças a Deus eu tenho a família unida e que isto sirva de exemplo para os presentes, às novas e futuras gerações”.


Vicente Andrade  
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial