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Rebuscando a história: A simplicidade e a comunicação de Júlio Souza




Júlio Souza


Nessa caminhada da vida conhecemos muitas pessoas que merecem nossos aplausos e homenagens. E Júlio Souza não é diferente, além de possuir uma trajetória riquíssima de vida é uma pessoa que passa confiança, credibilidade e humildade.

E esse adjetivo foi vivenciado durante a entrevista com ele. Uma pessoa do bem e que tem muita coisa para contar. No quadro rebuscando a história, Júlio Souza soltou a voz e expressou os sentimentos e a contribuição a cidade de Ipiaú durante todos esses anos vividos.

Nascido em Itagibá veio morar em Ipiaú com dois anos de idade na região da Canoa Virada, durante a infância trabalhou com o pai na roça para ajudar nas despesas da família e também tirar o próprio sustento. Júlio já carregou água, vendeu osso, leite, verdura e plantou capim.           

O Tempo do ABC

Na zona rural da Canoa virada havia escola para a criançada estudar, porém, naquela época o ensino era mais rigoroso e os professores utilizavam a palmatória para tomar a lição. Caso o aluno não soubesse a resposta exata, a mão era estendida e a palmatória comia no centro.  

Júlio Souza lembrou de um episódio que aconteceu durante os estudos. Um dia a professora foi tomar a lição e como Júlio não sabia quase nada tomou umas pauladas na mão por não saber a resposta.  Ficou injuriado e como presente ficou de castigo.

Ao relatar o caso aos pais, Júlio ficou surpreso com a tomada de decisão dos familiares.


“ Olha Vicente, meus  pais não foram tirar satisfação com a professora e ainda disse que se eu não estava sabendo fazer a lição e eu teria que aprender” relatou Júlio.
Júlio contou que certa vez foi selecionado para fazer uma sabatina com um colega. O mesmo não soube responder e Júlio se recusou a bater no colega por acreditar que mesmo batendo ele não iria aprender, por isso, se recusou. Como prêmio, Júlio ficou novamente de castigo chegando a chorar.

“Pra que adianta eu bater se ele não vai aprender.  A professora me colocou de castigo e me disse que não dava pra estudar e tinha que labutar na roça mesmo. Correr atrás de gado no mato. Foi o dia que fui na escola” contou Júlio.

Por não concordar com a palmatória e com a pedagogia da professora, Júlio Souza abandonou a escola. E a única vingança dele foi pegar um cavalo para fazer rabiadas em frente à escola para contestar e dizer a professora que ele era da roça mesmo. Com o passar dos anos, Júlio foi alfabetizado pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).

Ele se orgulha muito em ter sido um dos coordenadores do Mobral de Ipiaú, onde aprendeu muitas coisas.          

A ida para Itabuna

Preocupado em trabalhar para se sustentar, Júlio, com 13 anos de Idade levantou asas e partiu para a cidade de Itabuna. Lá ele trabalhou com maquinários pesados de lixar tacos e também se aperfeiçoou em eletricidade.


Assim sendo, nos anos 70 retornou para Ipiaú. Na época, o Teatro Cine Éden existia ainda e para entrar no cinema ele ficava na porta e pedia para o porteiro, Dunga, para entrar no cine. Final das contas, Júlio começou a varrer o salão e na operação da máquina que produzia o filme na tela.

No cine Éden também passava filmes proibidos para menos de 18 anos. Como Júlio ainda era menor de idade contou que quando ia passar filmes proibidos ele tinha que sair do cinema.               

Zezito Amaral o irmão e o pai

Ainda na década de 70, Júlio Souza ressaltou que Zezito Amaral chegou à cidade e implantou a voz da cidade. Júlio conta que Zezito foi um irmão e um pai para ele.
Então, quando Zezito montou a voz da cidade, Júlio começou a frequentar o estabelecimento e em seguida começou a trabalhar na operação dos equipamentos.

“Quando fui convidado para trabalhar de eletricista na rádio, Zezito percebeu minha dicção e comecei a gravar os anúncios. Foi numa tarde  que ele pediu pra entrar no ar e hoje tenho zezito como um pai, foi por meio dele que entrei na comunicação” comentou Júlio

Rádio educadora

Com o passar dos anos, apareceu a Rádio Educadora. De acordo com Júlio, Catalão e Zezito Amaral o chamou para ir a Rádio Educadora e assim iniciou os trabalhos na operação da rádio educadora.

Júlio também relata que certa vez Espártaco e Patrício Teixeira deu um texto pra ele ler ao vivo e assim foi feito. A partir disso comei a passar música e a ser o locutor.    


Os programas radiofônicos

Passado mais algum tempo, Júlio criou um programa Radiofônico, a “Noite é nossa”, que ficou no ar durante 4 anos.

“Quando Saraiva passou a ser o diretor da rádio começamos a interação mais ainda.  99 por cento das propagandas eram gravados por mim” frisou Júlio.
Na sequência, Júlio criou o programa policial “A cidade preto no branco”. De acordo com Júlio, o programa criou uma audiência muito forte e também uma grande polêmica.     

“O professor Tatai escutava a rádio, fechava o escritório dele 10 minutos antes do programa só para escutar. Não tinha internet e tudo era de fatos verídicos. Tinha tanta credibilidade que o saudoso Capitão Milton me dava todos os Boletins de Ocorrência para ler no ar” contou Júlio.  

Júlio também completou que “Quando errava era pau na moleira, podia ser delegado, policial, bandido, seja quem fosse. Por isso, já fui ameaçado várias vezes devido ao programa”.

Vasco x Fluminense

Júlio tem muita história para contar e nesses 65 anos de idade e luta foi intensa os diversos momentos que marcaram a vida dele.

Apesar de torcer para Flamengo, Júlio contou que já foi ao Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para cobrir o jogo entre Vasco x Fluminense.  “Foi um dia muito bom, não tínhamos acesso ao campo, o narrador não conseguia enxergar de longe e a linha da rádio recebia tanta ligação que quase não transmitíamos o jogo. Após a vitória do fluminense de 1 a 0 foi tanto pó de arroz” contou Júlio sorrindo.    

 A campanha de Waldir Pires
Júlio começou a fazer as locuções para candidatos a governador, deputado, prefeito e vereador.

 “ Euclides Neto era aliado a Waldir Pires, ele se candidatou a governo do Estado e eu fui convidado para trabalhar com ele. Lembro um dia do comício, na armação, não tinha ninguém na rua até o momento que Florisvaldo anunciou meu nome e como se tivesse abrindo uma gaiola, a rua lotou de gente e no final,  Waldir foi eleito” contou Júlio.      

O candidato a deputado e a reaproximação com Hildebrando Nunes

Durante a entrevista Júlio ressaltou que na época das eleições ele apoiou um candidato a deputado chamado Everton Almeida e o ex-prefeito Hildebrando Nunes apoiou o deputado de Itabuna, Fernando Vita. 

O candidato de Júlio ganhou a eleição e ele cumpriu o papel de estreitar os laços com Hildebrando.
Deputado Everton Almeida em pé com o microfone na mão


“Chamei Hidelbrando e apresentei o deputado eleito a ele, daí, tudo voltou ao normal” relatou Júlio. 

O sinal de TV

“Mesmo com sinal precário, tudo analógico eu estava lá na torre, faça chuva ou sol, quantas vezes perdi o controle do carro pra subir a torre para prestar assistência e nunca deixei o sinal falhar” esta foi à fala de Júlio para pontuar a criação da torre de TV.

Completando, Júlio ressaltou que “fizemos um abrigo para que servisse aos usuários de TV de Ipiaú. Quando passou meu trabalho, entreguei  com 5 sinais de tv. Eu dava assistência na região toda. Atualmente presto serviço para a Câmara de Vereadores de Ipiaú pela humildade e competência”.

Eventos Culturais 


Como locutor e cidadão, Júlio Souza, já realizou e participou de diversas atividades culturais e entidades de Ipiaú. Além de locutor destaque, já participou de cavalgadas, gincanas escolares, Rotary Clube, Maçonaria, grupos de teatro, desfiles, micaretas e tantos outros. Júlio também criou o Partido (PTdoB) junto com amigos.     

Júlio é uma pessoa do bem e que tem muita história para contar.  E esse pequeno registro é uma homenagem para que as futuras gerações de Júlio e a comunidade ipiauense possam reconhecer a simplicidade e comunicação de Júlio Souza.

Confira o vídeo:

 
Vicente Andrade   



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