.

BOTE FÉ! Jornalismo a Favor da Cidadania!

Sobre ser mulher




Elis Matos é ipiauense, feminista, licenciada em Filosofia (UESC), bacharela em Comunicação Social (UESC), pós-graduanda em Gestão Cultural (UESC), no qual estuda os grupos culturais feministas do sul baiano, e mestranda em Linguagens e Representações (UESC), no qual centraliza sua pesquisa em Estudos de Gênero.

Por Elis Matos

Quando você parou de se autodenominar menina e passou a se chamar de mulher? Foi quando menstruou pela primeira vez? Foi quando transou pela primeira vez? Ou quando seu primeiro filho nasceu? Vou contar minha história para vocês. Mas, antes, prometam-me: cada um tem seu tempo, não vão julgar! Prometido? Então, tá. Vamos lá.

Faz pouco menos de um ano, que eu olhei meu corpo nu, no espelho, e vi liberdade.  Faz bem pouco tempo que eu me perdi da menina e encontrei a mulher que sou. Não estou falando aqui de puberdade, desejo, maternidade e coisa tal. Não é isso, se fosse isso, ganharíamos uma ‘certidão de mulher’ junto com a compra do primeiro absorvente, ou da primeira tabela de anticoncepcional (rs). Estou falando de autoconhecimento. Estou falando de liberdade. Tá, uma liberdade ínfima, frente ao que pretendemos e sonhamos, enquanto MULHERES FEMINISTAS, QUE SOMOS.

O que estou querendo dizer aqui é que esse passo rápido entre ser menina e ser mulher NÃO É TÃO RÁPIDO ASSIM. Essa passagem nem sempre se dá sem dores, sem atropelos e sem dúvidas (na verdade, a regra é que tudo isto esteja lá, junto e misturado, infelizmente). E, para sua surpresa, grande parte das mulheres não se descobriu e não se auto afirmou, enquanto tal. Por que ser uma MULHER pressupõe ser dona de si, do seu corpo, de suas opiniões e de suas vivências. E, ganhar este tipo de certidão de mulher, nesta sociedade machista e julgadora, não é mole, irmã!

É rápido entender o grau desta dificuldade. Quer ver? Quantas vezes você deixou de fazer algo por medo de ser julgada? Quantas vezes você mesma se julgou? Quantas experiências você deixou de viver porque seria feio para uma ‘mocinha’ fazer isto?  Quantas mulheres de sua família ficaram ‘mal faladas’ porque decidiram viver além da curva do que se determina como correto?
Então, façamos um exercício: pegue duas 3x4 (uma de sua infância e uma atual) e tente responder: em qual medida eu avancei em liberdade, de lá pra cá? Que mulher eu sou e qual eu quero ser? Repita isto, de vez em quando. Um sorriso será o símbolo de que você está indo bem. E... Quando uma mulher está progredindo, todas as outras vão bem também, de alguma maneira. Lembre-se disso: quando você se move, todos os que estão em seu entorno são obrigados a se movimentar também. E... VAMOS JUNTAS, sempre!



Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial