.

BOTE FÉ! Jornalismo a Favor da Cidadania!

CAROLINA MOURA LEBBOS – RAIMUNDO RODRIGUES VILELLA, JUÍZES DE VERDADE E OS MOLEQUES LUTRIDOS

Osires Rezende 


Para que serve a literatura?

O que é uma sociedade civilizada?

Duas perguntas aparentemente simplórias, mas de difícil solução. Num plano macro deixo livre para as especulações dos leitores, vou reduzir para a nossa aldeia ipiauense, levando em consideração o celebre axioma de Tolstói: “Se queres ser universal, canta a tua aldeia”, e ouso responder: a literatura serve, também, para dar um testemunho do grau de civilização de uma dada sociedade e este grau de civilização se mede de acordo com a independência e a altivez da justiça desta sociedade.

Como vêm é uma resposta para o consumo ipiauense, outros podem elencar variadas serventias da literatura. E independência, independência mesmo da justiça é como que uma utopia, Montesquieu concebeu a independência dos três poderes, mas que ainda funciona a base de concessões, os chamados pesos e contrapesos, e em sendo assim poderíamos radicalizar e dizer que a humanidade ainda não experimentou uma verdadeira civilização, mas vamos ao papel da literatura e o grau de civilização na sociedade ipiauense, com boa vontade podemos estendê-la às sociedades baiana e brasileira.

Em 1964 o prefeito de Ipiaú era o doutor Euclides Neto, foi denunciado como comunista e respondeu a um IPM -  inquérito policial militar, mas ele deixou a poeira assentar e só uns vinte anos depois escreveu o seu livro de memórias, 64, Um Prefeito, a Revolução e os Jumentos, que é um excelente testemunho da independência e altivez do juiz de direito de então, o doutor Raimundo Rodrigues Vilella, dos próprios condutores do IPM e de outros agentes públicos e, portanto, do grau de civilização daquela  sociedade.

A independência e a altivez do doutor Raimundo Rodrigues Vilela se manifesta quando é alertado que o padre da paroquia liderava uma passeata para quebrar, destruir o prédio da Justiça do Trabalho que segundo o pároco e alguns exaltados era coisa de comunista, o juiz não titubeou, convocou a força policial e ordenou, “se se atreverem a invadir é pra meter bala, o patrimônio público não pode ser vandalizado”, estou citando de memória. No livro ficamos sabendo também que o padre era um dedo-duro, ele mesmo confessa candidamente ao prefeito, “Olha Euclides eu lhe denunciei, pois me prometeram o cargo de capelão da polícia militar e até hoje não me nomearam.”. Bem, os próprios condutores do IPM absolveram o prefeito Euclides Neto, mas existiam os oficiais da linha dura e um depoimento da maior importância histórica é sobre o brio e a dignidade do governador Lomanto Junior que se ajeitou com os militares e convidou um destes oficiais para a inauguração de alguma obra na região, ao passarem por Ipiaú, o linha-dura resmungou e parece que deu meia volta, “está é a terra do prefeito comunista?” ao que Lomanto respondeu, “Se o prefeito é comunista eu também sou”. Meu pai, Hildebrando Nunes e Euclides Neto foram amigos de Lomanto a quem eu fiz acirrada e juvenil oposição pelo fato dele fazer parte do partido político mais afinado com os militares, este depoimento de Euclides me ajudou a entender a barca dos homens.

Pois é, a barca dos homens se move e superou as turbulentas aguas da ditadura e nas plácidas aguas da democracia querem nos impingir  misérias e mistificações, minha capenga literatura lança um tímido e apaixonado olhar sobre estas infâmias, talvez a posteridade julgue-as com mais isenção.

Os descendentes do magnânimo e injustiçado Antônio Lomanto Junior prestam-se a indignidade de bajular apoiadores de alcaguetas maculando assim a memória do patriarca.

O único padre da Bahia que me inspirou respeito e admiração nos últimos tempos foi o exuberante padre Pinto que, rodava ou ainda roda,  a batina com mais elegância do que muitas filhas de santo e, ao que me consta, não é alcagueta, dedo-duro.

Agora, uma aberração é a patética aliança entre a prefeita malufista de Ipiaú e o governador baba-ovo de dedo-duro da Bahia, não pela aliança em si, coisa da politica, mas ao que parece para obstruir a justiça.

A miséria moral das elites dirigentes e intelectuais brasileiras se expressa em sua plenitude quando fazem de conta que as gravíssimas e infames acusações do senhor Romeu Tuma Junior, de que o senhor Luís Inácio Lula da Silva foi um colaborador do DOPS não tem importância  e para reproduzirem um modelo excludente de irresponsabilidades sociais não hesitam em continuar alimentando mistificações as mais primarias, com o risco de  desmoralizar completamente frágeis instituições.

Assim é que, depois de exasperante processo, onde lhe foi dado o mais amplo direito de defesa, o senhor Luís Inácio Lula da Silva foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, pois bem, atribui-se ao governador Otavio Mangabeira o seguinte dito: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”, provando que são uns boçais que não aprenderam nada com a historia, e não têm nenhum senso do ridículo, o atual governador da Bahia e mais oito governadores do Nordeste deram-se ao absurdo de se deslocarem até Curitiba para prestar vassalagem ao acusado de alcagueta que nunca contestou e condenado em todas as instâncias do ordenamento jurídico brasileiro por corrupção e lavagem de dinheiro, prestaram-se ao papel de moleques lutridos, acharam que a justiça federal era como a casa de mãe Joana das suas justiças provincianas, deram-se mal, esbarram no brio da juíza CAROLINA MOURA LEBBOS, meteram o dedo no cu e vão chafurdar pela resto da vida nas  suas indignidades.

O Brasil começou a se forjar no Nordeste, André Vidal de Negreiros, Filipe Camarão, Henrique Dias, um meu antepassado João Fernandes Vieira, brancos, índios, negros e mestiços  se uniram e, para o bem ou para o mal  determinaram a nossa identidade com a língua portuguesa, e não podemos execrar a impávida figura de Domingos Fernandes Calabar, como alguns querem, ora! Não se sabe por que diabos a Companhia das Índias Ocidentais escolheu o humanista Mauricio de Nassau para governar o Nordeste, Calabar entendeu que era a opção mais adequada e fez a História. Jorge Amado, Graciliano Ramos, Jose Lins do Rego e tantos outros que podem ser sintetizados na figura do meu ídolo Ariano Suassuna, não podem ser desrespeitados por esses nove moleques atrevidos.

Mas o horror dos horrores que nos remete à barbárie é a omissão da Justiça, pelo menos é esta a impressão que nos envolve, o caso da agressão sofrida pela nossa conterrânea a senhora Wanessa Gomes: uma besta quadrada, covarde, invade o seu local de trabalho, uma creche infantil, além de agredir a citada senhora, a brutalidade traumatiza as crianças. A justiça é acionada, e o que faz? Pelo menos até onde sei o que foi divulgado, omite-se infamemente. Ocorre que o agressor é protegido dos poderosos, é um radialista cujo proprietário da emissora parece ter como valar ético apenas o  dinheiro, é um morto-vivo desde sempre,  a prefeita vaidosa, alienada, mais uma zumbi, o trio se completa com o moleque lutrido do governador que presta vassalagem a alcagueta dedo-duro, reles ladrão condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, se mancomunaram arrogantemente para afrontar a consciência civilizada da nossa cidade.

Recentemente foi assassinada no Rio de Janeiro a vereadora Marielle Franco, ainda não se sabe o que motivou tão infame crime. Da agressão sofrida pela nossa conterrânea Wanessa Gomes até o momento atual quantas mulheres humildes foram assassinadas, verdadeiro feminicídio, ocorreu no Nordeste dos nove moleques lutridos? É claro que somente a ação de um juiz isolado não vai minorar este quadro, mas a justiça não tem o direito de se omitir, tem o dever de proclamar alto que tal infâmia não é aceitável.

Eu sou nordestino, não estou denegrindo o Nordeste, em parágrafos acima já ressaltei que o Brasil começou no Nordeste, nossa cultura nos enche de orgulhos, desgraçadamente nossa pobreza é explorada por oportunistas e infames gigolôs ideológicos. Em 1964 num momento conturbado, onde ele bem poderia ter se resguardado um pouco, o próprio doutor Euclides Neto reconhece isto, o senso do dever não permitiu ao doutor RAIMUNDO RODRIGUES VILLELA se omitir. E o seu nome se inseri num livro que pretendo editar, O HOMEM QUE CONVERSAVA COM DEUS E OUTROS HERÓIS IPIAUENSES.

Não conheço a senhora Wanessa Gomes, não sei se o delegado que registrou a ocorrência foi incompetente ou agiu de má-fé, não sei se o juiz de direito é um misógino ou se tem mãe, esposa e filhas,  e não tenho interesse pessoal no caso, o que me move é o senso da cidadania, o dever de lutar e legar às futuras gerações  uma sociedade minimamente civilizada onde a justiça não se omita. Mesmo no limitado espaço do blog BOTÉ FÉ, uma justiça ágil e comprometida com a cidadania tem o dever de tomar conhecimento e responder as  angustias dos cidadãos.

QUE DIABOS SE PASSA COM A ATUAL JUSTIÇA DA BAHIA, ESTÁ VENDIDA, MANIETADA PELOS PODEROSOS?

por Osires Rezende 
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial