Ninguém está nem aí


Depois de muito tempo, volto a enfrentar o desafio de externar pensamentos e observações, compartilhando ao menos uma dose mínima desse turbilhão de ideias que atravessa a mente na velocidade da luz em um dia comum.
Lembro-me de ter lido recentemente na revista The Scientist sobre estudos indicando que os seres humanos têm, em média, entre 6.000 e 70.000 pensamentos por dia. O detalhe mais intrigante disso tudo é que a maioria é repetitiva e ocorre de forma automática, representando uma atividade cerebral ininterrupta. Imagine só quanta "loucura" e quantos dilemas não passam pela minha, pela sua ou pela mente de tantas outras pessoas? É pensamento demais.
Mas este assunto não é o foco principal. Também vale mencionar que este pequeno texto não é voltado para intelectuais ou pseudointelectuais que acreditam já saber tudo ou que já se encontraram plenamente na vida. Estas palavras são para pessoas que estão à procura de si mesmas, que buscam autoconhecimento; para os que se sentem perdidos, angustiados ou que procuram soluções para o caos do cotidiano. Seja lá o que você estiver pensando ou enfrentando, se algo aqui te fizer refletir, fique comigo.
Enquanto escrevo, o sol forte e a chuva fina se harmonizam lá fora. Por outro lado, o que preciso te dizer talvez soe como aquela frase repetitiva que você já deve ter escutado de alguém mais velho: você não precisa provar nada para ninguém.
Essa frase, embora pareça clichê, carrega uma verdade profunda. Não gostaria de lhe dizer isso, mas é necessário: faz parte do processo. Seja lá quem você for, a verdade é que poucos realmente se importam; muitos só querem saber da sua utilidade. De fato, a pessoa que mais deseja o seu bem e se preocupa genuinamente com você é a sua mãe — e, ainda assim, sabemos que há exceções.
Isso me faz lembrar a famosa reflexão do Padre Fábio de Melo: "Se você quer saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se essa pessoa seria capaz de tolerar a sua inutilidade". Pois então, experimente não estar "por cima" e você verá. Pouquíssimos — raras exceções — estenderão a mão ou serão, de fato, amigos de verdade; uns dois ou três, no máximo. Se você pensou em alguém agora, agradeça, pois muitos não têm ninguém. Outros, infelizmente, te oferecerão uma âncora quando você estiver naufragando em mar aberto. E esses "presentes" costumam vir disfarçados de conselhos e comparações. Cuidado.
Não estou sendo pessimista, nem tentando desanimar você da batalha; estou apenas fortalecendo ideias que darão fôlego para a sua caminhada. Quer um exemplo? Se você tem redes sociais, observe quantos seguidores possui. Dessas pessoas, quantas te mandaram uma mensagem hoje ou te visitaram para perguntar, ao menos, como você realmente está?
Infelizmente, o mundo vive uma eterna fantasia de aparências e felicidades momentâneas que servem como fuga. Repare, não sou o dono da razão, até porque não existe verdade absoluta. A ideia é que você observe os fatos e tire suas próprias conclusões.
Certo dia, conversei com um senhor que eu já conhecia de vista, mas com quem nunca havia falado. Ele me disse coisas incríveis sobre a vida sem que eu fizesse uma única pergunta. Para ser sincero, adorei o papo. Assim, pude perceber, mais uma vez, que muitas vezes são as pessoas que menos esperamos que nos oferecem ideias fascinantes e dizem exatamente o que precisamos ouvir naquele momento. São conexões da vida que dificilmente conseguimos explicar. Isso já aconteceu com você?
Já estou terminando para não me alongar ou tomar muito o seu tempo. Vivemos em um mundo de status, busca infinita por felicidade e comparações constantes — as redes sociais estão cheias disso. Como diz o neurocientista Pedro Calabrez: "Mera ilusão".
Se você chegou até aqui, quero te dar os parabéns. Poucas pessoas terminam o que começam. Obrigado por sua companhia. No mais, saiba que você é capaz. Continue acreditando em si mesmo.
Um abraço e até a próxima!

Bote Fé!

Comentários

  1. Continue Vicente.
    É importante para os que se identificaram com a sua escrita que você continue.
    Estamos saturados com tantas informações e você não quer ser mais um desses, você quer é conversar com as pessoas, compartilhar também suas desvantagens, fraquezas, por que não? Por ser simples ou ridículo tal como Manuel de Barros, nos atrai, desperta curiosidade, ou um sentimento de companheirismo e faz a gente desejar continuar a ler Vicente.
    Por favor, amor as letras ou gentileza, não pare nunca mais de escrever!

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