O Ladrão de Luz e o Vazio de quem Julga




Querido leitor, querida leitora,

Estou muito feliz por você estar aqui. Para mim, é um sinal de satisfação poder contar com a sua leitura e companhia.

Para iniciar este escrito, é válido lembrar uma frase que ouvi do apresentador Danilo Gentili, frisando que "quem te conhece não precisa que você se explique, e quem não te conhece não irá acreditar no que você vai dizer". A intenção dele ao replicar essa frase filosófica se encaixa perfeitamente ao que vivemos hoje, onde, a todo instante, você precisa se explicar ou responder a perguntas por mera curiosidade do outro, informações que, no fim, nada acrescentam ao indivíduo.

Vivemos em uma sociedade de representações, aparências, status, performance e consumismo desenfreado. Ao falar de "representações", refiro-me ao fato de que você precisa se encaixar em um padrão, pertencer a um grupo, pensar igual; ou seja, ser domesticado. Esse ritual de pensar igual nunca me encantou; daí posso parafrasear o cantor Belchior quando diz: "Eu é que sou um cara difícil de domesticar... não tenho a mentalidade mediana para imitar Jorge Ben".

Com isso, a sociedade te impõe, simbolicamente, com um poder invisível e eficiente, uma postura, um padrão: seguir grupos, pertencer a algo para ser aceito como "normal". Quando você não está alinhado a essas visões, certamente será a "bola da vez" para virar assunto da mesa, piada, olhares de canto, risos irônicos, fofoquinhas, cochichos. Buscam, então, elementos — erros ou vacilos que você cometeu, ou que, na visão dos julgadores, não condizem com a linha de pensamento deles — e reverberam a sua imagem como a pior do mundo; ou seja, tentam anulá-lo de alguma forma. Ainda mais em uma cidade supostamente pequena.

O engraçado é que você acaba percebendo esses tipos de ações. Não sei se você já passou por isso, mas eu já observei várias vezes, em diversos lugares, situações como essas, tanto comigo quanto com outras pessoas. Quando esse tipo de coisa acontece, a melhor coisa a se fazer é "fingir-se de desentendido" para ver até onde as pessoas são capazes de ir e, ao mesmo tempo, visualizar a pobreza de espírito do ser humano.

Daí me lembro de Michel Foucault na obra Microfísica do Poder, livro que li durante a faculdade de jornalismo, que relata o seguinte: quando alguém faz isso, está tentando "governar" o seu comportamento, tentando te fazer sentir pequeno sem precisar dizer uma palavra. Completando a linha de pensamento, é válido mencionar que o poder se manifesta nos detalhes — no gesto, na postura, na forma como o atendente da loja olha para o jovem da periferia, quando você é minimizado na frente dos outros por não ter um emprego ou salário digno, ou por estar passando por alguma situação desconhecida. Enfim, são "micropoderes" que mantêm a hierarquia social viva no dia a dia.

Outro autor que se encaixa perfeitamente é Pierre Bourdieu, em O Poder Simbólico, que ressalta: as pessoas que se escondem em grupos para se sentirem superiores estão exercendo o que ele chama de Estratégia de Distinção. Elas usam o "bom gosto", a "educação" e as "ações sociais" como armas para dizer: "nós somos diferentes de vocês".

Durante um período afastado da escrita e produção jornalística independente, saí um pouco de cena e me aprofundei na área da psicanálise para entender o comportamento e atitudes das pessoas. Concluí a formação pela Escola de Mediadores e, inclusive, se você gosta de psicologia, eu superindico.

Ao observar essas situações e deixar que elas continuassem, sem reagir, percebi que a arrogância de quem julga é, na verdade, um escudo para um vazio existencial profundo. Como dizia Viktor Frankl, quem não tem um valor interno sólido precisa "roubar" o valor do outro através do desprezo. Uma dica importante: não permita que as pessoas roubem a sua luz. Ninguém tem esse direito, pois elas são pequenas demais para a grandiosidade das tuas experiências e sentimentos.

Por fim, este é apenas um pequeno texto para uma breve reflexão. Não sou o dono da verdade, nem tampouco quero ser. O ato de escrever já me torna um pouco feliz por entender um pouco de uma sociedade turbulenta e cheia de defeitos. Para não me alongar muito, grato por você chegar até aqui. Espero ter ajudado um pouco e irei terminar com o trecho da canção do Renato Russo que diz assim:

"Não falo como você fala, mas vejo bem o que você me diz Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo Prefiro acreditar no mundo do meu jeito E você estava esperando voar Mas, como chegar até as nuvens, com os pés no chão? Todos têm, todos têm suas próprias razões."

Bote Fé!

Comentários

  1. Showww meu amigo! Eu sou sua fã e admiro sua expressão de pensamento e seus posicionamentos.

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