A Cadeira Cambaleante e a vontade de Viver o Agora

 



Querido leitor e querida leitora, começo o escrito de hoje sentado numa cadeira cambaleante, torta e confortável, de frente para uma mesa branca. Ainda é cedo e acabei de tomar o meu café da manhã. O sentimento é de uma reflexão tamanha, a ponto de quase não se refletir. Não quero aqui ser o dono da verdade — se é que existe verdade num mundo acelerado, onde a humanidade está cheia de ansiedades, vaidades e juízes alheios. Quero estar longe disso.

O ponto-chave é mais complexo. Conviver numa época em que cada indivíduo vive na sua própria complexidade de experiências, traumas, medos, anseios e status econômico e social vai além de qualquer nota científica de estudiosos. Muitas obras, escritas num determinado tempo ou momento totalmente diferente da atualidade, sorrateiramente ainda coincidem com o nosso tempo presente.

Tudo o que temos hoje — os costumes, as ideias, os comportamentos e tudo aquilo que conseguimos enxergar — veio de algum lugar. Alguém nos ensinou, alguém abriu caminhos. Se isso é certo ou errado, não cabe a mim identificar, a não ser a você mesmo.

Durante algum tempo, me debrucei em livros de psicologia, sociologia, filosofia, literatura e até mesmo naqueles de autoajuda. Confesso que existem livros e escritos que é necessário ler e reler para entender um pouco do que o autor quer apresentar. Então, sinta a sua respiração neste momento, sinta seu coração bater, sinta as suas mãos, mexa os pés e viva o tempo que for, mas sinta a delícia de viver o agora. Se você estiver lendo este texto, melhor ainda. Fico muito feliz pela sua companhia; isso é a prova de que não estou sozinho e de que compartilho um pouco da minha existência e das minhas leituras contigo.

Certa vez, uma professora da universidade me disse uma frase que me marca até hoje, e que eu demorei um tempo para entender e assimilar: "O inimigo é invisível". Ela falou essa frase após um longo período de conversas sobre a vida, os sonhos e as utopias. Mas fica para outro dia escrever sobre esse diálogo e desvendar esse caso.

Para não me alongar, quero deixar aqui a dica de um livro fantástico que acabei de ler, chamado A Cura de Schopenhauer, do psicoterapeuta Irvin D. Yalom. O livro mexe muito com a ideia de como lidamos com o tempo, com o isolamento e com a nossa postura diante do mundo. E, mais do que isso, mostra como as nossas pequenas atitudes de humanidade e empatia, mesmo num mundo caótico, podem mudar a nossa jornada.

A obra tem cerca de 390 páginas, mas a leitura se torna leve. Se você já leu, comente aqui embaixo; se ainda não leu, vale a pena. E, quando for ler, não tenha pressa de terminar: leia, releia e saboreie. O livro é sobre isolamentos, conexões, tempo e existência. É uma leitura essencial para quem gosta de misturar psicologia, existencialismo e tramas humanas.

Por fim, num mundo fantasioso, cheio de máscaras, superficialidade digital e plenamente líquido, uma dose de isolamento para uma leitura e uma boa reflexão — buscando conhecer a si mesmo e ao outro — é uma ótima aventura para aprender a lidar com a vida.


Vicente Andrade

Bote Fé!

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