Entre um Café, um Elogio e o Nascimento do Clube do Livro de Ipiaú

 

Waldeck Ornélas, político e advogado renomado no Brasil inteiro, lançou sua obra Bahia: Urgências do Presente

Antes de começar a escrever o conteúdo deste texto, quero ressaltar que as provocações do amigo e jornalista Jota Fagner, revelando um pouco dos nossos diálogos dos últimos tempos, têm sido uma tendência para mim. Ao mesmo tempo, recusar-me a escrever seria uma afronta à necessidade de existir. Desde a sua volta à nossa cidade, ele tem despertado uma efervescência na intelectualidade local e regional.

Sem sombra de dúvida, ele tem o dom de levantar debates e de incentivar a escrita para seus alunos e amigos; já estava virando um verdadeiro "pastor" do incentivo à escrita alheia. Para ser mais exato, ele é um intelectual acadêmico de uma inteligência que, às vezes, não dá nem para acompanhar na conversa (risos). Não é à toa que já ajudou a produzir livros na cidade — salvo engano, foram mais de oito obras. Inclusive, vou contar em primeira mão para você: o meu segundo livro já está em fase de organização. E adivinha quem vai produzir? Não preciso nem falar, não é? Em breve irei elaborar um texto para falar apenas do amigo Jota Fagner; acredito que ainda não seja o momento para isso.

Voltando ao assunto principal, nesta última segunda-feira, 1º de junho, o ipiauense Waldeck Ornélas, político e advogado renomado no Brasil inteiro, lançou sua obra Bahia: Urgências do Presente, no Complexo Poliesportivo Cultural Dr. Salvador da Mata. O evento reuniu autoridades da cidade, empresários, políticos e uma parcela expressiva da sociedade ipiauense e de municípios circunvizinhas. Além deles, também estavam presentes alguns dos pioneiros da Academia de Letras de Ipiaú — uma galera gente fina. “Meu advogado jura”, já dizia Raul Seixas. O engraçado é que são eventos assim que nos dão a oportunidade de conhecer e rever pessoas, bater um papo e fazer aquela social.


Waldeck Ornélas, político e advogado renomado no Brasil inteiro, lançou sua obra Bahia: Urgências do Presente

Humildemente, fiquei um pouco reservado no canto, proseando com Jota Fagner, Vânia, Paulão e Alida (alguns membros da Academia de Letras de Ipiaú; para ser sincero, um bando de "sem-noção" que está na empreitada de fundar a academia). Para ser honesto, já falei várias vezes: não me vejo como um intelectual, tampouco tenho pretensão de me ver assim. Torno a repetir que meus textos também não são direcionados para intelectuais. Eu apenas escrevo o que sinto, para existir, para tirar um pouco dessas ideias da cabeça e dormir em paz. Uma vez que, pensando bem, quase ninguém está lendo nada... Caso você esteja lendo este texto confuso, peço desculpas.

Para tanto, vou parafrasear uma frase que ouvi do amigo ipiauense, advogado das causas sociais e escritor Paulo Magalhães — um apaixonado pelo futebol amador, pelo cinema e pela cultura. Ele falou o seguinte: “Ipiaú é um hospício de loucos a céu aberto”. E continuou: “Tem que ter delírio; o que move o mundo são os malucos, os artistas”. Pense numa afirmativa com um tom que convence! Querido leitor e querida leitora, não vejam essa frase como pejorativa, tampouco o meu texto. A literatura nos permite escrever com mais liberdade e licença poética, e acredito que é desse delírio que Paulão fala.

Enfim, as ideias estavam se desenrolando e a troca de informações estava a todo vapor, até o momento em que tive uma surpresa que me deixou sem palavras. A escritora, membro da Academia de Jequié e diretora do departamento de Letras da UESB, Jussara Midlej — dona de uma total elegância, uma pessoa fina e de uma educação da altura da Torre Eiffel —, chegou justamente no instante em que eu dizia que ninguém lia e que era preciso fazer alguma ação para incentivar as pessoas a gostarem da leitura.

Ela simplesmente me deixou sem graça, de um jeito entusiasmado, dizendo: “Vicente, eu leio seus textos. São leves, bem estruturados, de fácil entendimento. Inclusive, já fiz comentários em alguns”. Para completar, ainda relembrou o texto que Jota Fagner publicou me incentivando a voltar a escrever — aquele que fez com que, uma semana depois, eu voltasse a publicar meu primeiro texto após um tempo de exílio de mim mesmo.

Sinceramente, fiquei feliz e sem palavras para expressar minha alegria em saber que tenho uma leitora acadêmica, importante e intelectual como a Jussara. Eu apenas agradeci, meio sem jeito, e fui beber um café e comer um pedacinho de bolo. Foi aí que o Jota olhou para mim e falou: “Viu aí o que eu te falei? Você precisava voltar a escrever”. E emendou: “Viu, sacana?” (risos).

Após o término do evento, ficamos ali conversando e surgiu a ideia de montar o Clube do Livro de Ipiaú. Gostaria muito de continuar escrevendo este texto, mas acho que já escrevi muito por hoje. Vou deixar para uma próxima publicação para explicar melhor.

Até mais.

Vicente Andrade

Bote Fé!

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