O Berimbau e o Lamento: Jéssica Viana e a Força da Mulher na Capoeira

 


Cada um de nós tem uma história para contar — seja uma experiência de vida, um fato inusitado que aconteceu em um dia comum ou uma superação. Enfim, tudo pode se tornar uma história, a depender de como você a enxerga. Possivelmente você até se lembrou de algum fato que aconteceu contigo neste exato momento e gostaria de relatá-lo.

Por incrível que pareça, existem realidades que precisam ser potencializadas: uma voz que não tem vez, um fato que não é muito discutido nas principais mídias — para ser mais exato, nos meios de comunicação convencionais. Diante desse pensamento, é necessário que existem alternativas para debater algo tão corriqueiro e que, ao mesmo tempo, quase ninguém percebe. Para dar ênfase ao que a maioria não vê — e, quando vê, não dá a devida importância —, temos o processo cultural que nos rodeia desde os princípios da civilização: os costumes e as tradições que são mantidos ou modificados com o tempo.

Neste momento, quero falar um pouco da cultura do esporte. Mas não é do futebol, pois este já é bastante disseminado e se consolidou como paixão nacional para boa parte da sociedade. Uma pena o Brasil ter saído tão precocemente da Copa; por outro lado, com jogadores estrelas e sem um pingo de raça para jogar, já sabíamos o que iria acontecer com a seleção brasileira, não é verdade?

Agora, vamos ao assunto principal: desta vez, falaremos sobre algo que está enraizado em nós desde a época da escravidão. Falo da capoeira. E peguei como exemplo a aluna formada Jéssica Viana. Num pequeno bate-papo informal, com o intuito de escutar e conhecer um pouco da sua trajetória, o desenrolar da conversa ligou alguns pontos importantes para levantar o debate.



Jéssica explicou que a prática da capoeira ajuda muito no condicionamento físico, na força, na flexibilidade e na coordenação motora, por meio de exercícios aeróbicos intensos. Além disso, ela pontuou que a modalidade promove o alívio do estresse e da ansiedade através da musicalidade, eleva a autoestima, fortalece a socialização e preserva a herança cultural. Está provado que tudo isso acontece e ajuda de diversas formas quem pratica.

Jéssica dá aulas para jovens no Ciebetc de Ipiaú. É uma mulher dedicada, que faz do esporte uma alternativa para permanecer fazendo o que gosta e, ao mesmo tempo, saborear os benefícios da arte. Abrindo um parêntese: você que gosta de história e esporte, ou até mesmo você que tem curiosidade por conhecer algo novo, vale a pena se debruçar sobre a história da capoeira no Brasil, principalmente na Bahia.

A professora destacou que a capoeira a deixa feliz; ela esquece o mundo quando está treinando. A prática a ajudou a manter a forma, a cuidar da mente e a se livrar um pouco da ansiedade que assombra a maior parte da sociedade. Ela explicou que o esporte chegou no tempo certo em sua vida, pois a fez superar muitos problemas. Jéssica entende a capoeira como uma mãe. Quem entra no universo da capoeira não aprende apenas as técnicas; aprende a respeitar o próximo, a encarar a vida com dignidade e a absorver a filosofia da modalidade. É muito interessante.



Dentre os benefícios, Jéssica também ressaltou a importância das mulheres nas rodas e citou que é necessária uma quebra de paradigmas referente ao descaso e ao machismo ainda impregnados na modalidade. Para ela, as mulheres precisam de mais espaços e tempo nas rodas e oficinas de capoeira. Jéssica foi bastante incisiva ao falar que é preciso destacar a mulher na capoeira, pois existem muitos talentos em nossa cidade que permanecem invisíveis.

Ela pontuou que, do mesmo jeito que o esporte a ajudou a quebrar barreiras, pode ajudar outras pessoas também. É necessária uma visão mais minuciosa para erradicar o machismo no meio e oportunizar mais espaços para os talentos femininos. E assim, para encerrar a nossa conversa, ela pegou o berimbau, começou a tocá-lo e soltou a voz em um lamento.

Vicente Andrade

Bote Fé!

Comentários

  1. Bravo!!! Excelente palavras sobre a Professora Jessica e sobra s importância da capoeira em nossas vidas. Me chamo Carla faço parte do mesmo grupo que Jessica, e sei o qusnto ela ama este esporte, que é tão descriminado. Salve Capoeira!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas