Uma Despedida Inesperada: Sêneca, Glen Hansard e a Brevidade da Vida

 



Toda despedida, por muitas vezes, é algo que nos deixa atônitos. Quem já passou por isso sabe do que estou falando; cada um de nós, um dia, já experimentou a sensação de perder alguém especial que fez a diferença na vida. Este é um assunto muito delicado para descrever em um simples texto.

Confesso que nunca gostei de abordar temas sobre despedidas, principalmente quando se trata de idas sem volta, onde a única alternativa que nos resta é aceitar a dádiva da saudade e das lembranças. Nesta perspectiva, devemos recorrer aos estoicos, que tratam a morte como algo natural da vida; devemos pensar nela para saborear o real sentido de estarmos vivos.

A maioria dos estoicos escreveu sobre a morte, mas foi Sêneca quem mais se aprofundou no tema por meio das "Cartas Morais a Lucílio". Foram várias cartas que tratavam da finitude da vida, de encontrar a serenidade na morte e de superar o luto. Vale a pena ler. Vou deixar um link no final do texto para você poder acompanhar.

Existe um trecho em uma das cartas — salvo engano, é a 61 — que relata o seguinte: “Estou me esforçando para viver cada dia como se fosse uma vida plena. Não o agarro como se fosse o último; porém, o encaro como se pudesse ser o último”. É interessante notar que tal citação tem sido bastante usada por muitos psicólogos e profissionais como uma alternativa para vencer a ansiedade, propondo que não nos preocupemos tanto com o que já passou, nem tampouco com o que virá, ou seja, viver o agora, o presente. Pois o que já passou não volta, e o futuro não nos pertence.

Simples, não é? O difícil é viver com essa essência numa sociedade tão acelerada; acredito que você esteja entendendo o que estou escrevendo.

No entanto, o tema deste texto é para relatar algo que me pegou de surpresa, e acredito que a muita gente também, inclusive aos astros do rock Bono Vox (U2) e Eddie Vedder (Pearl Jam). O músico, cantor, compositor e ator irlandês Glen Hansard faleceu após um acidente de moto na madrugada do dia 29 de julho, aos 56 anos de idade, depois de sair de um show.

Glen não era muito de aparecer na mídia, não era muito conhecido no Brasil, mas se destacou na Irlanda com a banda The Frames (1990) e, um ano depois, teve seu primeiro papel como ator ao interpretar o guitarrista Outspan Foster no filme The Commitments. Além disso, era parceiro musical de Bono Vox e de Eddie Vedder.


Outro destaque em sua carreira foi o filme Once (Apenas Uma Vez), dirigido por ele e coestrelado pela cantora e multi-instrumentista checa Markéta Irglová. Vale a pena assistir; é sensacional e cheio de emoções. O filme foi lançado em 2007 e a canção "Falling Slowly", composta por ambos, ganhou o Oscar de Melhor Canção Original em fevereiro de 2008.

Vou deixar também o link de um show dele no final do texto.

Glen Hansard é um cara que canta e escreve com emoção. Suas letras e melodias são pulsantes. No seu velório, Bono e Eddie cantaram e se emocionaram com a partida, realizando uma homenagem merecida. Então, caro amigo e amiga, se queres fazer alguma coisa importante que ajude alguém, que faça os sorrisos brilharem, não perca tempo: faça agora, hoje, no presente, porque amanhã pode ser tarde demais.

Vá em paz meu irmão, Glen Hansard!

https://www.estoico.com.br/1073/carta-61-sobre-encontrar-a-morte-alegremente/

https://www.youtube.com/watch?v=Id_4nylKX9M

Vicente Andrade 


Comentários

  1. Muito boa a reflexão, Vicente. O Glen foi incrível, e a voz dele é inesquecível

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