Aonde queremos chegar com isso?
Querido leitor e querida leitora, antes de qualquer coisa, quero te pedir algo muito importante: para ler este texto, preciso que você abra a mente. Não tome decisões precipitadas com base no que você acredita, pensa ou na sua ideologia política; apenas leia e, no final, fique à vontade para expressar a sua compreensão ou a sua visão.
Eu sempre acreditei que era possível ter um país com as mínimas condições para que o povo pudesse viver com igualdade, onde as necessidades básicas da população fossem sanadas. Ou seja, um país justo. Esse sentimento é o que me acompanha por todos estes anos e o que me faz ser alguém com tendências e aspirações voltadas para a política de esquerda. Até aí, tudo bem; o debate democrático está de pé.
O presente texto é mais um desabafo que há muito tempo eu pensava em escrever, mas não sabia por onde começar, pois me sentia agoniado. Serei bastante sucinto para não me alongar — até porque o cenário atual já nos causa náuseas.
O assunto do momento, divulgado em grande escala, é o escândalo do Banco Master. O episódio desencadeou, mais uma vez, diversas polêmicas no Brasil. O incrível é que, nesse bojo, surgem dezenas de alvos diretos: executivos, empresários, servidores públicos e autoridades atolados na lama da corrupção. O caso provocou uma crise institucional e política a perder de vista, atingindo diretamente a cúpula do Supremo Tribunal Federal (STF), o Banco Central e o financiamento de campanhas eleitorais.
Acredito que muitas coisas estão acontecendo nos bastidores e a gente não faz a menor ideia do que se trata. Pior ainda: não sabemos como resolver, pois nós, cidadãos comuns, estamos de mãos e pés atados, sem o poder de decidir absolutamente nada.
Para além dos escândalos, a polarização política tornou-se um absurdo. As pessoas mal conversam sem debater com insultos e discursos dogmatizados. Você também pode perceber isso nos debates eleitorais: é acusação de um lado e de outro e, no fim, nada de propostas concretas. A partir daí, a guerra de narrativas só piora a situação.
Não gostaria de dizer isto, mas infelizmente preciso falar: nós, trabalhadores, pessoas comuns, estamos vivendo à mercê, com a única obrigação de pagar as contas do mês e nos virar para tentar ter uma vida minimamente digna.
Cabe aqui mencionar o professor Milton Santos, que escreveu obras fundamentais para evidenciar essa realidade — como O Espaço do Cidadão (1987) e Por uma Outra Globalização (2000). Ele argumenta que o topo do poder político (presidentes, ministros, parlamentares) passou a focar quase exclusivamente em atender às demandas do mercado financeiro e das grandes corporações. Para o povo, sobram apenas discursos vazios de austeridade e promessas não cumpridas.
Para ser mais claro: a máquina pública funciona de forma extremamente eficiente para garantir lucros privados e perpetuar elites no poder, enquanto se mostra deliberadamente "ineficiente" e ausente na garantia dos direitos básicos da população mais vulnerável.
Enfim, basta tirar um tempinho e ter um pouco de sensibilidade. Veja quanto os políticos declaram de patrimônio nas campanhas e compare com o Brasil real. Como o compositor Rodrigo Amarante exclamou num trecho da canção Um Milhão: "Pra cada um com um milhão, um milhão sem um sequer", escancarando a nossa divina comédia humana.
Vicente Andrade
Bote Fé!



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