Do Nada ao Hábito de Existir

 


Querido leitor e querida leitora, não se assustem com as palavras a seguir. Tive que escrever às pressas para não perder a oportunidade de lançar mais um texto, ensaio — ou como queiram entender — e peço que fiquem até o final. Passei a semana inteira buscando nos meus pensamentos e tive a sensação de que não tinha nada para escrever.

Por incrível que pareça, o "nada" também é alguma coisa e, no fundo, você, eu ou qualquer pessoa tem algo a dizer. Foi daí que lembrei de Aristóteles. O filósofo grego pontuou que: "Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito". Você já fez uma análise dos hábitos que possui? Se ainda não, comece. Mas se não quiser fazer, está tudo bem também.

Foi nessa reflexão que encontrei forças para sentar na cadeira e começar estes escritos, numa tentativa de amenizar a euforia de tantas informações. Por mais que tenhamos acesso a tanto conteúdo, muitas vezes isso vira lixo, pois, sob certos pontos de vista, nada acrescenta ao nosso crescimento. Faça uma análise do que você consome todos os dias; olhe no relógio o tempo que passou e o que isso realmente te agregou.

Mais uma vez, quero ressaltar: nada do que escrevo serve para intelectuais, pois não sou um. Apenas fui rotulado com a responsabilidade social de ser um jornalista. E, por sinal, um jornalista que não tem nada a ver com a profissão de meramente publicar fatos ou furos de reportagem que não agregam nada à vida das pessoas. Por outro lado, sempre gostei de escrever poesias, sentimentos e histórias de pessoas que se superaram ou que não estão diretamente nos holofotes da mídia tradicional.

Nesse sentido, parece que estou indo contra a maré. E sim, sinto falta de um mundo onde parecia que as pessoas tinham sentimentos e um objetivo maior de criar formas para oferecer luz. Mas luz demais também cega. Você já parou para olhar o sol? Aguenta ficar quantos minutos encarando-o? Certamente, não aguentará muito tempo e ainda corre o risco de perder a visão.

Para não me alongar e também não tomar o seu tempo, percebi que as pessoas do mundo inteiro já têm tantos problemas em seu dia a dia e cada um vai buscando formas de driblá-los ou resolvê-los. Uns de forma mais eloquente, outros de forma mais racional, e tantos outros simplesmente não resolvem. E, por sinal, todos esses problemas afetam diretamente a vida em comunidade.

Pense bem: com a velocidade com que os acontecimentos avançam, parece que estamos sendo atropelados, pressionados, vivendo no automático. Uma das coisas que mais nos afetam é essa busca incessante pela felicidade exposta diariamente nas redes sociais. O mundo do consumo: o "ter" versus o "ser". Nossa, quanta loucura!

Por fim, parece desconexo, mas chega um tempo em que o melhor é você se desconectar. Sentir as horas passarem, sentir a beleza da sua própria companhia. No mais, deixe o mundo girar e aprecie o instante.


Bote Fe!

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