Entre sucos e acarajés


Olá, querido leitor e querida leitora,

Antes de iniciar este texto, quero ressaltar que li uma frase — não sei quem a disse, mas representa muito do que penso: “escrevo para ser ouvido neste mundo barulhento”.

Com isso, é pertinente frisar que a psicologia sempre pontuou que a autoescrita é uma ótima oportunidade para o autoconhecimento e também para disseminar ideias. Muitas pessoas sentem algo parecido. Enfim, se tem algo que lhe perturba, apenas escreva.

Agora, para não fugir do que realmente pretendo externar, preciso falar sobre um povo esquecido que, olhando por outro lado, possui uma riqueza histórica de lutas e superações e que continua a existir, mesmo diante de suas limitações.
Desde as minhas andanças pela cidade de Ipiaú, sempre tive vontade de realizar algum trabalho que evidenciasse a riqueza cultural dos bairros vistos como periféricos ou populosos. Há de convir, neste caso, tratando-se do Bairro Novo, sobre a evolução empreendedora e cultural encabeçada por pessoas comuns. Hoje é possível encontrar academia, farmácia, loja de construção, supermercado, trailer, bar, adega, acarajé, artistas e muitas outras coisas maravilhosas, de encher os olhos. Uma cultura viva e pulsante; se você já andou por lá, vai saber do que estou falando.
E aqui, quero externar que sempre gostei de observar as diferenças entre a periferia e o centro. Menciono também a Igreja de São José Operário, que, por sinal, acho a igreja com a arquitetura visual mais chamativa e linda da cidade. Sem contar, é claro, que ela foi construída por trabalhadores, operários — a força da união. Vale a pena você estudar como foi a construção dessa igreja.

Meus amigos, acho que já passou da hora de criarmos um centro cultural do Bairro Novo, oferecendo mais oportunidades culturais para jovens e crianças da comunidade. E escutar também a memória de senhores e senhoras que ainda estão vivas. Diante disso, sei o quão difícil é essa proeza acontecer nos dias atuais, mas é uma ideia a se pensar. Podemos relembrar o inesquecível Adenor Soares, Pai Naldo e várias outras figuras.

E voltando ao título deste ensaio, não poderia deixar de citar um cara que, na minha humilde opinião, é uma das pessoas mais intelectuais que já conheci, e, por sinal, ele é ipiauense. O nome dele é José Fagner, também morador do Bairro Novo. Um amigo de longas datas que a distância não separou; por outro lado, não irei ficar rasgando seda, porque ele mesmo sabe que não sou disso. Temos várias coisas em que discordamos e, no fim, damos risadas. Prometo que depois irei escrever alguma coisa sobre ele.

Após o seu retorno à nossa cidade, tive a oportunidade de reencontrá-lo, de trocar ideias mais de perto e poder discutir, debater situações e, é claro, comer aquele acarajé de Dona Laura, no Bairro Novo. O acarajé de Dona Laura é um dos melhores acarajés da cidade. É um ponto de encontro fantástico. Além do acarajé, tem o velho suco do Ozéias, outro ponto de encontro do Bairro Novo. Denominamos esse último como "papo de hambúrguer" com outro amigo em comum, o Rafael — depois irei falar dele também.

Para não me alongar muito e voltar ao assunto principal, vale ressaltar que é necessário criar mecanismos que acolham e escutem com sensibilidade e empatia um povo que ajudou a construir a nossa cidade.

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