O Lado Escuro da Lua



A ciência explica que a Lua nada mais é que um satélite natural da Terra: um corpo celeste rochoso e sem luz própria que orbita nosso planeta. Mesmo assim, ela desempenha um papel fundamental ao refletir a luz solar, estabilizar o clima terrestre e regular o movimento das marés.
Aquela imensa bola gigante, cheia de fases e que muitas vezes apreciamos apenas em sua estatura, quando cheia, possui uma cor real de cinza-escuro acastanhado — resultado da poeira e de rochas ricas em ferro e magnésio. Meu objetivo aqui não é dar uma aula de astronomia, mas, se você gosta do tema, vale a pena pesquisar e se inteirar sobre ela.
O ponto é que essas fases lunares têm muito a ver com as nossas vidas, com as estradas que percorremos, as situações que vivenciamos e tudo aquilo que chamamos de tempo. Enquanto o relógio voa, você vai se encaixando, se modulando, às vezes se embrutecendo e se tornando escravo de uma rotina. Ora perdendo o compasso, ora parando ou correndo loucamente — alguns agindo racionalmente, outros de forma impulsiva. Cada um tem sua lua, suas fases e suas estações.
Mas qual é, realmente, o "lado escuro da lua"? Para tentar responder a essa pergunta rica em interpretações, buscarei apoio na música; melhor dizendo, em um álbum no qual perco horas apreciando.
Em 1973, a banda Pink Floyd lançou o disco recorde de vendas da história: The Dark Side of the Moon. A obra retrata as pressões modernas: tempo, dinheiro, loucura e morte. Se você nunca o escutou, deixo aqui a sugestão: aproveite e analise as letras. Por incrível que pareça, essas pressões estão cada vez mais atuais. O mais impressionante é como essa "correria" tem causado falhas graves na saúde mental, gerando ansiedade, depressão e várias outras mazelas que impactam diretamente a vida em sociedade. Minha amiga e meu amigo leitor, se você nunca se sentiu ansioso ou se perdeu em pensamentos angustiantes, parabéns: você é um ser raro.
O mais preocupante é a normalização dessas situações. Hoje, parece "normal" estar com ansiedade ou algum transtorno, principalmente quando essas condições são expostas nas redes sociais por meio de brincadeiras e memes feitos para rir. De fato, essa romantização ou banalização do sofrimento psíquico através do humor tem causado um desconforto no qual rimos sem saber, como se fosse uma fuga.
O filósofo Byung-Chul Han escreveu A Sociedade do Cansaço. Ele é uma das principais referências para explicar como a pressão por desempenho e a hiperconectividade levam ao burnout. Han cita que estamos saindo de uma "sociedade disciplinar" para uma "sociedade do desempenho", onde o indivíduo se torna seu próprio carrasco e vítima na busca incessante por produtividade e aprovação digital.
Outro autor, o sociólogo Zygmunt Bauman, aborda em seu conceito de Modernidade Líquida a fragilidade dos laços humanos. Ele fala sobre as "relações líquidas": voláteis e superficiais. A exposição da ansiedade por meio de brincadeiras acaba desgastando as relações sociais, tornando-as menos empáticas e mais baseadas na satisfação momentânea do riso.
O retrato disso são as patologias e o uso excessivo de remédios para anestesiar o que deveria ser acolhido de verdade. E quem lucra com esse caos? A indústria farmacêutica. Para encerrar essa lista de argumentos e voltar ao nosso "lado escuro", menciono Thiago Costa (UFRJ), que pesquisa como o humor nas redes ridiculariza instituições de saúde e transforma o transtorno em "modinha". Ao rir de uma crise de ansiedade em um vídeo curto, a sociedade retira a profundidade da dor. Isso cria uma barreira perigosa: quando alguém realmente precisa de ajuda, o entorno pode reagir com descrença, achando que é apenas mais uma "performance" digital.
Pode parecer brincadeira, mas este ensaio talvez não seja lido por muita gente. Se você chegou até aqui, quero te parabenizar; é raro alguém terminar o que começa a ler. Comecei a escrever para amenizar o excesso de pensamentos e organizar a mente neste turbilhão de informações. Devemos filtrar o que recebemos. Há notícias de que não precisamos e horas perdidas em redes sociais que não voltam mais.
Encerro este papo dizendo que o ato de escrever sem a expectativa de ser lido é libertador. Isso nos livra de decepções e transforma a escrita em uma válvula de escape, um marco no tempo e no espaço. É como tirar um peso que carregamos arduamente sem notar. Como diria Fernando Pessoa, é sentir-se preso em um "manicômio sem manicômio". Louco isso, não é?
Portanto, escrever é descarregar o que nos prende. É libertar o que precisa ser desafogado para ordenar as ideias em uma sociedade acelerada e cheia de imbróglios. A solução, talvez, seja desacelerar, viver o presente e se encantar com as coisas simples. Tentarei escrever mais sobre isso.

Um forte abraço. Bote fé!

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